Reforma Tributária: Vai Aumentar os Impostos da Sua Empresa?

A Reforma Tributária é, sem dúvida, a maior mudança no sistema fiscal brasileiro das últimas décadas. Com a promulgação da Emenda Constitucional nº 132/2023 e da Lei Complementar nº 214/2025, o Brasil está redesenhando por completo a tributação sobre consumo — e isso afeta diretamente empresas de todos os portes e segmentos.

A dúvida que paira entre os empresários é objetiva: a minha empresa vai pagar mais impostos? A resposta depende do seu setor, do seu modelo de negócio e de como você se preparará para a transição. Neste artigo, explicamos o que muda, quem ganha, quem perde e o que fazer agora.

O Que É a Reforma Tributária e Quais Tributos Mudam?

A Reforma Tributária tem como objetivo principal simplificar e modernizar o sistema tributário brasileiro, substituindo cinco tributos diferentes por um modelo unificado baseado no IVA Dual (Imposto sobre Valor Agregado).

PIS, COFINS, ICMS e ISS: Os Impostos que Serão Extintos

Atualmente, as empresas lidam com uma sobreposição de tributos sobre o consumo que gera complexidade operacional, alto custo de compliance e o chamado “efeito cascata” — o imposto que incide sobre imposto ao longo da cadeia produtiva.

Os tributos que serão gradualmente extintos são:

  • PIS (Programa de Integração Social)
  • COFINS (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social)
  • ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços)
  • ISS (Imposto Sobre Serviços)
  • IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados — parcialmente)

 

CBS e IBS: Conheça os Novos Tributos da Reforma Tributária

No lugar dos cinco tributos acima, entram dois novos:

  • CBS — Contribuição sobre Bens e Serviços: substitui PIS e COFINS, de competência federal.
  • IBS — Imposto sobre Bens e Serviços: substitui ICMS e ISS, de competência compartilhada entre estados e municípios.

Ambos funcionam sob o princípio do IVA: não cumulatividade plena, ou seja, o imposto pago em cada etapa da cadeia é compensado na etapa seguinte. Isso elimina a tributação em cascata.

Além desses dois, foi criado o IS — Imposto Seletivo, que incide sobre produtos considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente (cigarros, bebidas alcoólicas, combustíveis fósseis).

A Reforma Tributária Vai Aumentar a Carga Tributária da Minha Empresa?

Esta é a pergunta central. E a resposta é: depende do seu setor.

A reforma foi desenhada para ser neutra em termos de arrecadação global — ou seja, o governo não pretende arrecadar mais nem menos no total. No entanto, a redistribuição da carga entre setores é inevitável.

A alíquota padrão do IVA Dual (CBS + IBS somados) foi estimada entre 26,5% e 28,6% — uma das mais altas do mundo. Mas há reduções específicas para setores estratégicos e produtos da cesta básica.

Quem Pode Pagar Mais Impostos com a Reforma Tributária?

O setor de serviços é o segmento com maior risco de aumento de carga tributária. Isso porque historicamente pagavam alíquotas menores de ISS (entre 2% e 5%) e PIS/COFINS cumulativo. Com o CBS e IBS, a alíquota nominal sobre serviços tende a ser significativamente maior.

Setores que podem sentir impacto de alta:

  • Serviços em geral (consultoria, tecnologia, educação privada, advocacia)
  • Serviços de saúde não enquadrados como benefício
  • Varejo com baixo aproveitamento de créditos na cadeia produtiva
  • Imóveis e incorporação imobiliária

Quem Pode se Beneficiar com a Reforma Tributária?

Por outro lado, a indústria e o comércio com cadeias longas de produção tendem a se beneficiar. A não cumulatividade plena elimina o efeito cascata que hoje penaliza esses segmentos, gerando créditos que reduzem o custo tributário real.

Setores potencialmente favorecidos:

  • Indústria manufatureira com grande volume de insumos tributados
  • Agronegócio para exportação (desoneração nas exportações)
  • Comércio atacadista e varejista com fornecedores formais
  • Exportadores em geral (imunidade de CBS e IBS nas exportações)

Cronograma da Reforma Tributária: O Que Muda em 2026 e nos Próximos Anos

A transição não acontece de uma vez. O governo estabeleceu um período longo de adaptação para que empresas e Fisco possam ajustar seus sistemas.

2026 — Fase Piloto com Alíquotas Simbólicas

Em 2026, entram em vigor alíquotas-teste simbólicas: 0,9% de CBS e 0,1% de IBS. O objetivo é testar sistemas de faturamento e emissão de documentos fiscais, sem impacto financeiro relevante.

Atenção: a partir de 2026, notas fiscais devem destacar os valores de CBS e IBS. Empresas que não adaptarem seus sistemas de ERP e emissão de NF poderão ter dificuldades operacionais.

 

2027 a 2032 — Transição Gradual

  • 2027–2028: CBS começa a vigorar em alíquota de referência; PIS e COFINS são extintos.
  • 2029–2032: ICMS e ISS são reduzidos gradualmente em 10% ao ano, enquanto o IBS aumenta proporcionalmente.

 

2033 — Sistema Completo em Vigor

A partir de 2033, o novo sistema estará totalmente implementado: CBS, IBS e IS em plena operação; ICMS, ISS, PIS e COFINS completamente extintos.

Como Preparar Sua Empresa para a Reforma Tributária

Independentemente do impacto final na sua carga tributária, toda empresa precisa agir agora. Veja as prioridades:

  1. Faça uma simulação tributária personalizada Com base no seu faturamento, setor, cadeia de fornecedores e estrutura de custos, é possível estimar se a sua empresa vai pagar mais ou menos impostos após 2033. Essa simulação deve ser feita com um contador especializado.
  1. Atualize seus sistemas de ERP e faturamento Os documentos fiscais já em 2026 precisarão conter os campos de CBS e IBS. Converse com seu fornecedor de software sobre o cronograma de atualização.
  1. Revise seus contratos e precificação A mudança nos tributos impacta o custo dos produtos e serviços. Contratos de longo prazo podem precisar de cláusulas de reajuste tributário.
  1. Aproveite os créditos tributários Com a não cumulatividade plena, sua empresa poderá gerar créditos sobre insumos, imóveis, energia elétrica e outros itens que hoje não geram crédito. Isso pode reduzir significativamente a carga efetiva.
  1. Reavalie seu regime tributário A Reforma Tributária pode mudar a equação entre Simples Nacional, Lucro Presumido e Lucro Real. Uma análise profissional pode revelar oportunidades de economia.

Conclusão: Vale a Pena se Preocupar Agora com a Reforma Tributária?

Sim — e muito. Embora o impacto financeiro concreto só se materialize completamente a partir de 2027, a janela de preparação é agora. Empresas que iniciarem a adaptação com antecedência terão mais tempo para renegociar contratos, ajustar preços e capturar créditos tributários que hoje não existem.

A boa notícia é que, com o planejamento tributário correto, muitas empresas poderão neutralizar ou até reduzir sua carga — desde que contem com orientação especializada.

A Portela Consult está preparada para ajudar sua empresa a navegar essa transição com segurança. Entre em contato e agende uma análise tributária personalizada.

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Gestão Financeira

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